A moda da Proteína, agora até ultraprocessado tenta ser fit
- Ellen Kwamme
- 7 de abril, 2026
As grandes marcas estão se adaptando a um novo comportamento: um consumidor que quer mais saúde, mas também busca praticidade. Nesse cenário, poucos nutrientes ganharam tanto destaque quanto a proteína.
Nos últimos anos, surgiu o que muitos já chamam de “febre da proteína”. Hoje, é comum encontrar produtos com termos como “protein”, “high protein”, “whey” ou “zero” estampados nas embalagens. Barrinhas, bebidas, sobremesas, snacks e até alimentos que tradicionalmente não eram associados à nutrição esportiva passaram a destacar a proteína como principal argumento de venda. Mas essa tendência não surgiu por acaso.
Como a comida fitness virou tendência dentro e fora da academia
A proteína sempre teve um papel fundamental no organismo. Ela está diretamente envolvida na construção e reparo muscular, na produção de enzimas e hormônios e também na regulação da saciedade. Para quem treina, ela se tornou ainda mais relevante por contribuir para recuperação muscular e manutenção da massa magra. Além disso, dietas com maior teor proteico costumam ajudar no controle da fome, o que também reforça seu apelo para quem busca composição corporal. Esse conjunto de benefícios fez com que a proteína deixasse de ser apenas um nutriente e passasse a ocupar um espaço central no comportamento alimentar moderno.
Com a rotina cada vez mais corrida, o consumidor começou a procurar soluções rápidas que entregassem esses benefícios sem exigir muito planejamento. É aí que a indústria entra com força: produtos práticos, prontos para consumo e com forte comunicação voltada à proteína passaram a dominar prateleiras e redes sociais.
Hoje, muitas pessoas olham primeiro para a quantidade de proteína e só depois, ou nem isso, para o restante da composição. Isso acontece porque a proteína carrega uma percepção muito positiva: ela representa resultado, disciplina e eficiência. Quando um produto comunica isso de forma clara na embalagem, ele ativa a sensação de que aquela é uma escolha inteligente.
A moda da proteína mudou a forma como as pessoas enxergam a alimentação
Muitos produtos classificados como “fitness” ou “proteicos” são, na prática, ultraprocessados. Ou seja, possuem listas extensas de ingredientes, aditivos, aromatizantes e, em alguns casos, quantidades elevadas de sódio, gorduras ou açúcares. A presença de proteína não elimina esses fatores.
Isso não significa que esses produtos não possam fazer parte da rotina. Em momentos de correria, pós-treino ou falta de acesso a uma refeição completa, eles podem ser úteis como apoio. O problema começa quando deixam de ser uma estratégia pontual e passam a ocupar o espaço do básico.
Porque, no fim, a base da alimentação continua sendo simples. Fontes naturais como ovos, carnes, peixes, leite, iogurte, feijão e lentilha continuam sendo formas eficientes de consumir proteína com uma matriz alimentar mais completa. Além disso, uma alimentação equilibrada não depende apenas de proteína — carboidratos, gorduras boas e fibras seguem essenciais para energia, saúde metabólica e funcionamento do organismo.
A febre da proteína faz sentido, mas precisa ser interpretada com critério. Mais do que buscar produtos com alto teor proteico, vale entender o contexto: essa proteína está vindo junto com uma boa composição? ela realmente atende uma necessidade da sua rotina? ou está apenas reforçando uma percepção criada pelo marketing?
O que são ultraprocessados e por que isso importa mesmo em produtos proteicos
De forma prática, ultraprocessados costumam ser formulações industriais feitas com muitos ingredientes e aditivos, incluindo substâncias pouco usadas em preparações caseiras, como aromatizantes, corantes, emulsificantes e realçadores. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda preferir alimentos in natura ou minimamente processados e evitar ultraprocessados como base da alimentação.
A praticidade não precisa ser inimiga da qualidade. É possível montar uma rotina eficiente combinando alimentos simples, organização e, quando necessário, suplementação bem escolhida. Um iogurte natural, atum em lata, ovos cozidos, frutas, castanhas e whey protein podem trazer praticidade sem necessariamente entrar na lógica de um produto excessivamente formulado.
Já alguns produtos estão tentando mudar sua imagem diante do mercado ao acrescentar o termo proteico, como o caso do snack Doritos Protein, cervejas proteicas, nescau proteico, água proteica e etc
Olhar só para as gramas de proteína é reduzir demais a análise! Um produto pode ter proteína, mas também ter excesso de sódio, açúcar, gorduras ou uma lista enorme de ingredientes. Se a lógica do consumo vira “tem proteína, então está liberado”, a escolha deixa de ser estratégica e passa a ser emocional.
O papel da suplementação no meio dessa confusão entre saúde e marketing
Suplementar bem é saber usar os produtos de forma estratégica, considerando sua rotina, seus objetivos e suas necessidades individuais. Hoje, existem diversas opções com apelo fitness — como sobremesas proteicas, snacks com whey e bebidas “high protein” — que podem, sim, trazer praticidade e ajudar em momentos específicos do dia.
A diferença está em entender o papel de cada um deles dentro da sua alimentação. Enquanto alguns produtos funcionam como lanches ou alternativas rápidas, outros têm uma proposta mais direta de suplementação. Quando usados com esse olhar, todos podem contribuir de forma positiva.
O melhor uso da proteína, seja por meio da alimentação ou da suplementação, passa por contexto: quantidade adequada, qualidade da composição e como isso se encaixa na sua rotina. Quando a base alimentar está organizada, os suplementos entram como aliados para otimizar resultados, facilitar o dia a dia e garantir consistência.
A proteína ganhou espaço porque realmente faz diferença — tanto na performance quanto na saciedade e na recuperação. E, com tantas opções disponíveis hoje, ficou mais fácil incluir esse nutriente na rotina de forma prática.
Para quem busca mais desempenho, praticidade e uma alimentação mais estratégica, o caminho está em combinar o básico bem feito com boas escolhas ao longo do dia. A suplementação, nesse cenário, funciona como um suporte inteligente, ajudando a complementar a dieta de acordo com seus objetivos.
Se a ideia é facilitar a rotina sem abrir mão de qualidade, vale conhecer as opções disponíveis no site da Way Suplementos, onde você encontra produtos que podem contribuir para uma estratégia alimentar mais prática, equilibrada e alinhada com o seu dia a dia.
Ellen Kwamme
CRN 24103612
Referências
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